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SUAS RESPOSTAS NÃO FUNCIONAM? ENTÃO, MUDE!

Recentemente, em uma dessas várias vezes em que sou parado na rua para ouvir pedidos de conselhos, uma senhora descarregou toda a sua tristeza e frustração por conta do seu relacionamento com a filha. A menina (menina? tem 22 anos!) arranjou um namorado que lhe pega na porta de casa mas só a devolve de madrugada.
Esse tipo de comportamento não cabe na mentalidade de pessoas que foram criadas com o rigor do relógio imposto pelos pais, numa época em que desobediência era passível de punição com uma surra, mas hoje.... e a jovem ainda depende dos pais, pois apenas estuda e não trabalha.
Por essa e por outras, as discussões são constantes. Uma (a mãe) chora, a outra (a filha) grita e tem ataques de histeria. O pai apenas quer conversar com o namorado, e não se mete na briga da mãe com a filha. Bem... o cara só aparece quando estão as mulheres na casa, e não o marido.
A questão é que isso se repete todos os dias, sempre da mesma forma, sempre com a mesma cobrança, sempre com as mesmas respostas... o amor já foi substituido pela mágoa, o ódio e a falta de entendimento.
Quando a senhora que me parou começou a contar a história, tudo parecia um seriado com filmes repetidos. Ao acontecer algo que ela não gostava, a resposta se dava de determinado jeito (gritos, choro, reclamações, chantagem emocional...) e a contra-resposta também.
Qual não foi a surpresa que ela teve quando lhe disse: "D. Maria (nome fictício), se me contar de novo, amanhã, que tipo de conversa teve com sua filha logo após mais um sinal de desobediência por parte dela, garanto que vou saber até as palavras que foram ditas antes que a senhora complete a história".
Ela ficou um pouco assustada, estarrecida (talvez porque esperasse um sinal de pena, de apoio moral, de confirmação do que ela estava dizendo, ou algo do gênero), e perguntou: "Mas... e daí?".
E então respondi com outra pergunta: "O que quero saber é: Suas reações deram certo? A senhora conseguiu o que queria? Obteve o resultado que esperava?" O "não" que veio como resposta veio quase como um sussurro. Na cabeça dela, com certeza, vinham as lembranças de quantas e quantas vezes a cena se repetiu, e os resultados foram os mesmos.
A questão é que muitas vezes caimos nesta falha: usamos sempre a mesma resposta para um problema que também se repete, mas sem jamais obter qualquer resultado que valha a pena. O fato é: Se não deu certo uma vez, e não funciona até hoje, pra que insistir nesta estratégia?
Na grande maioria das vezes, não sabemos.
Parece ser algo automático: vejo, sinto ou ouço algo que me lembra o problema, e a minha reação é imediata, mas sempre a mesma. E o pior é que não percebemos que agimos asssim.
Pense: Você encontra uma planta no seu jardim totalmente recortada pelas formigas e doente. A planta está quase morta. Você joga água, junta terra... e no outro dia ela está pior. De novo, junta terra, joga água... e ela cada vez mais seca. Você insiste em suas tentativas, e a planta morre. Aí você culpa a natureza, as formigas, e até Deus por não ter salvado a sua flor. Ora! E se você tivesse pensado, antes, ou mesmo depois das primeiras tentativas, que o melhor caminho seria eliminar as formigas. ou aplicar algum inseticida natural, ou ainda adubar a planta (a terra pode estar sem nutrientes)? Talvez o resultado fosse outro! Viu quantas alternativas?
Já diz uma regra da PNL: Ter duas opções é melhor do que ter apenas uma.
Se valer das opções que possui pode gerar resultados muito mais satisfatórios que o produzido por uma única proposta.
Para a senhora em questão, sugeri que parasse de reagir, e passasse a "agir", A SER PROATIVA nesta situação. Os gritos e xingamentos não surtiam o efeito esperado (e o mesmo valia para a filha, que também reagia sempre do mesmo jeito quando provocada). Então, era necessário que se mudasse a postura, a forma de tentar uma conversa, ou mesmo uma ação não verbal, ao invés de excesso de falação.
Se ela seguiu a sugestão? Ao que parece, não, pois, pelo que sei, as brigas continuam. Como eu disse, ela queria mesmo era uma confirmação do que já pensava, do que já acreditava, e que eu fosse até a sua casa conversar com a filha, mas falando as mesmas coisas que ela já falava todos os dias.
Bem... se fosse a um tempo atrás, talvez eu tivesse insistido, preocupado com a situação. Mas também isso seria uma repetição de reações que eu já tive em outras ocasiões, no afã de ajudar (e que muitas vezes acabava em frustração, pois não se pode ajudar quem não quer se ajudado).
Como a idéia é usar mais opções, preferi usar a de me manter neutro na situação, mas a postos caso fosse necessário. "Se a senhora, ou sua filha, quiserem realmente a minha ajuda para resolver o problema, posso fazer o possível. Mas, se espera que eu a ajude a manter suas estratégias limitantes, repetindo os seus gestos, ou tomar partido quanto às suas crenças, então não posso lhe ser útil", eu disse, logo depois de lhe passar meu cartão e seguir, livre e solto, para o meu trabalho.
E você? As formas como você reage aos acontecimentos te trouxe algum benefício? Compensou? Se nada disso ocorreu, talvez seja hora de mudar de atitude, não acha?
"O teimoso é aquele que sempre dá a mesma resposta para um mesmo problema, sem nunca solucioná-lo. O persistente, ao contrário, busca sempre novas opções para responder aos fatos. Este último, com certeza, é que vai conseguir os melhores resultados em sua busca", já dizia meu Mestre Pe. José Osvaldo.

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