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Mostrando postagens de agosto, 2025

AGRADEÇA, MAS VALORIZE-SE!

Engraçado como algumas lembranças parecem "acordar" a gente... É fácil perceber como certas atitudes, que pareciam inofensivas num determinado período, com o passar do tempo se tornam maléficas, e nem percebemos que isso está acontecendo. Minha infância não era das mais abastadas (eu diria, nem um pouco abastada), mas a gente se virava como podia. Eu odiava miudezas (de boi e de aves), mas naquela época era a única forma da gente dizer que comia "carne". E eu afirmava que "adorava", apenas pra deixar feliz quem, com muito esforço, só conseguia isso: meu pai, lutando para se aposentar, e minha mãe, batalhadora mas sem emprego fixo. Volta e meia, quando o dinheirinho da roça, da colheita de algodão, sobrava, era possível comprar um frango. Ou o dito cujo era mesmo um dos que criávamos no quintal, escolhido a dedo pelo meu pai. Depois de cozido, todos nós já sabíamos: os melhores pedaços iriam para o patriarca, e depois a mãe dividia o restante com os filhos....

CRÔNICA DE UM DIA BÁSICO DO BIPOLAR

A gente sabe se o dia vai começar mal quando acorda com o coração acelerado, como se tivesse corrido uma maratona antes mesmo de abrir os olhos. A ansiedade já está lá, sentada à beira da minha cama, esperando eu despertar para começar seu show. Respiro fundo, como o terapeuta ensinou: "Quatro segundos inspirando, sete segundos segurando, oito soltando." Mas tem dias em que o ar parece pesado, grudento, como se eu estivesse tentando respirar dentro de um saco plástico. Sou bipolar. Isso não é um rótulo, é um fato! E embora muita gente prefira usar esta verdade contra mim, decidi há muito tempo encarar as consequências de falar sobre isso. Faço tratamento, tomo os remédios religiosamente, evito gatilhos — álcool, noites maldormidas, estresse desnecessário.  Mas a vida, ah, a vida tem seus próprios planos. Perceba se você não se enquadra em momentos assim: Quando as coisas apertam: contas se acumulam, projetos  importantes desmoronam, uma discussão besta que tira o sono. O meu ...