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ESPAÇO DE "DESCARREGO"


Hoje fui a uma consulta com o meu médico de confiança. Digo "médico de confiança" porque, como a maioria dos brasileiros, dependo do SUS para pelo menos ouvir algo técnico, vindo de profissional qualificado, sobre meus problemas. Nem sempre os que atendem por este sistema são assim, ou pelo menos não fazem questão de ser, mas tenho a sorte de ter amigos (ou pessoas que querem algo, pelo fato de ser jornalista, não sei...), e estes sempre me dão uma mãozinha e ajudam a encaminhar-me para este verdadeiro seguidor do Juramento de Hipócrates, um dos poucos que ainda são humanos neste mundo tão consumista.
Este médico é, para mim, especial, porque pensa como eu: que corpo e mente são indissolúveis, e se há algo no corpo, é porque na vida mental está havendo algum desequilibrio.
Ele me disse algo que já sabia, mas que faço questão de repetir aqui para todos, afinal nunca é demais dar uma nova chamada de atenção para determinados fatores.
As doenças do stress, que são males físicos e mentais, geralmente causadas pelas tensões da vida, estão aumentando cada vez mais. Basta ver as estatísticas e isso se comprova facilmente.
Destas doenças, algumas nos paralisam, e nos fazem procurar ajuda: problemas cardiovasculares, doenças do coração, asma, bronquite, indigestão, gastrite, enxaqueca (a famigerada), insônia... e por aí vai.
O que pouca gente sabe é que não adianta simplesmente tomar remédios para curar estes sintomas (sim, porque o que chamamos de doença, na verdade são sintomas de algo muito mais profundo: ferimentos na Alma). É preciso sempre analisar que momento você está vivendo: um novo emprego, a perda de um trabalho, um ente querido que se foi, uma namorada ou namorado que lhe meteu o pé na bunda, uma família que parece não ligar muito pra você... ou mesmo uma "pisada na bola" de sua parte com as pessoas que você ama....
Uma pessoa sadia tende a ter equilibrio no corpo e na mente. E este equilibrio não está relacionado à falta de problemas, mas à maneira como esta pessoa age (e não re-age) diante deles. Como esta pessoa sabe que a perturbação de uma parte afeta a outra, sabe que aquela tensão que está sentindo no pescoço, se não for cuidada, pode virar algo pior. Porém, primeiro ela vai saber em qual parte de sua vida esta tensão foi causada: sentimentos, emoções, etc...
Então, ela busca o equilibrio, trata de eliminar a tensão mental para acabar com a do pescoço, ou trata, conscientemente, a do pescoço, para melhor encarar a que vem da mente.
E quais são as dicas para que isso seja feito de maneira eficiente?
Para o corpo, exercícios físicos. Para a mente, uma tranquilização com respiração consciente e visualizações.
É fácil: Basta parar um momento, e simplesmente prestar atenção a sua respiração. Não precisa tentar controlar (como o velho "inspire com o nariz, expire pela boca) essa atividade. É só tomar consciência de como respira, e ela própria começa a se tranquilizar. O resultado sobre a mente é altamente eficaz, porque uma sensação de paz começa a tomar conta de você, e o corpo sente essa reação.
Quanto aos exercícios, nem precisa falar: uma bela caminhada pode ser um bom começo.
Ah, mas mesmo assim não resolveu?
Entao vai uma dica radical: GRITE!
Escolha um local onde possa se sentir à vontade (se não tiver, e não esquentar de alguém pensar que você é louco, como eu, faça onde quiser) e comece, sem julgar ou colocar as palavras em ordem, a botar para fora todas as suas frustrações, sua raiva, suas tristezas, em voz alta, como se estivesse dizendo a você mesmo(a): Acorde! Cuide-se! Ame-se! Deixe de ser ou estar sendo este b... (você sabe, é um palavrão), este m..., este fdp...
Depois respire fundo, agradeça a Deus, diga a si mesmo que se perdoa e que se ama, e volte às suas atividades.
Isso me fez lembrar um amigo que tinha uma mania interessante. O banheiro da redação onde trabalhávamos era à prova de som (uma idéia interessantissima do chefe, por causa dos barulhos que volta e meia provocavam risos ou mesmo nojo). Quando o chefe ou qualquer um de nós falava algo que o ofendia, ele dizia a todos: "Gente, com licença, que já volto". Como todos nos tinhamos extrema liberdade entre os colegas e o chefe, já sabiamos o que ele ia fazer: entrava no banheiro, gritava bem alto um bom "Vá para P. Q. P...!", respirava e voltava ao grupo. Então dizia ao chefe ou a nós que iria avaliar melhor o que tinha sido dito, e prometia agir de acordo com o que fosse melhor para todo o grupo. Se não concordasse, já dizia isso na volta, mas mesmo assim atuava em sintonia com o que era decidido.
Por conta disso, o chefe criou a "sala do grito" na redação. Adorávamos entrar lá para enviar bons palavrões até mesmo para a máquina de escrever (o computador ainda era um luxo).
Você pode criar este espaço. Eu criei o meu, e isso tem me ajudado muito.
Sempre vale a pena investir num bom "descarrego", não acham?

Minha querida alma, raivas que vivi, ao longo do meu dia, acabaram
Minha querida alma, raivas que recebi, ao longo do meu dia, acabaram.

Paz, e muita luz!

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