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CONHECIMENTO LIMITANTE versus MESTRES DA INOVAÇÃO

Hoje falei com um amigo de longa data, e ele estava triste, deprimido mesmo. O motivo: um trabalho que fazia numa escola, baseado na Programação Neuro-Linguística, foi bruscamente interrompido, apesar de resultados impressionantemente ótimos na relação aluno - professor, na melhoria das notas dos que tinham mais dificuldades e até na busca por recursos para a instituição. A interrupção se deu por uma única razão: o psicólogo que prestava serviços para a prefeitura resolveu questionar a atividade dele simplesmente porque... Ele não era professor, não era psicólogo, não era psiquiatra, nem psicopedagogo... Ou seja, não importava o sucesso que o trabalho tinha:como não estava dentro das "regras", não podia ser mais realizado.
Meu amigo ficou deprimido, não só porque gostava do que fazia, mas principalmente porque os que eram considerados "aptos" pelo psicólogo não tinham a menor intenção de entrar numa ação para melhorar a vida dos pequenos alunos, ou não conseguiam sequer abrir negociação para conversar com eles, com suas teorias prontas, seus conhecimentos encapsulados. Mais triste ainda ele ficou porque os líderes da escola sequer questionaram a postura do psicólogo, e entenderam suas críticas como uma "ordem" para afastar o rapaz de seu voluntariado. E assim o fizeram.
E olha que a tal escola se diz uma "árdua defensora da inovação"....  e meu amigo era apenas um voluntário, que não recebia nenhum salário por seus serviços.
Pra falar a verdade, às vezes fico assustado ao ver como tantas instituições, sejam elas de educação, religiosas e até mesmo as que se intitulam "escolas de pensamento livre" insistem em sufocar os pensadores que elas mesmas formam. Como diria Augusto Cury, autor de "A inteligência multifocal" e grande escritor da área da psicologia atualmente, chega a ser um paradoxo. O conhecimento, que deveria gerar liberdade, produz limitações.
As pessoas aprendem uma determinada teoria, até se apaixonam por ela, mas não são incentivadas a questionar, criticar, pensar coisas novas. Muitas entidades tratam mesmo é de restringir a sua liberdade de pensar, de pesquisar, de buscar coisas novas, que melhorem, que complementem ou mesmo mudem radicalmente o que foi ensinado.
Teorias se tornam crenças imutáveis, sugestões de conduta ou de trabalho se tornam leis que jamais podem ser desobedecidas e, assim, o que seria um "meio" para se entender ou fazer algo se torna o fim. Você pode conseguir resultados ótimos, provar por A + B que uma nova forma de ver, pensar e agir diante de determinadas situações funciona muito melhor que as maneiras repetidamente tentadas, e muitas vezes fracassadas. "Você não fez o que manda a regra. Tá errado!". Surgem os defensores da "maneira certa de fazer as coisas", e estes não se importam com os resultados, ou com as pessoas envolvidas, apenas com a "regra".
Gente que pensa diferente, que pensa coisas novas, que não se prende a convenções ou crenças... incomodam! O próprio Cury lembra isso, ao citar os tantos pensadores que foram discriminados ao longo da história. Eles eram "rebeldes", "perturbadores da ordem".
Sócrates foi condenado a beber veneno, pelo incômodo que suas idéias causavam na época. Para ele, no entanto, foi mais digno aceitar a condenação que ser infiel às suas idéias e ter uma dívida impagável com sua própria consciência.
Giordano Bruno, filósofo italiano, passou por diversos países. Ele procurava uma universidade para expor suas idéias, e por isso experimentou vários tipos de perseguição e sofrimento, o que culminou na sua morte.
Baruch Spinoza, um dos pais da Filosofia moderna, foi banido dramaticamente pelos membros de sua sinagoga por causa das suas idéias. Eles chegaram a amaldiçoá-lo, com : "Que ele seja maldito durante o dia, e maldito durante a noite; que seja maldito deitado, e maldito ao se levantar; maldito ao sair, e maldito ao entrar...".
Immanuel Kant foi tratado como um cão pelo incômodo que suas idéias causavam no clero da época. Voltaire, devido às suas idéias humanistas, passou por perseguições na sua época.
A lista pode ser ainda mais extensa, se pararmos para pesquisar mais.
Lembram do médico Patch Adams, que inspirou a criação dos "doutores da alegria" e tantos outros grupos que ajudam, com o humor, a curar tantas pessoas pelo mundo afora? No que dependesse de seus professores, teria desistido, e talvez nem sequer tivesse se formado (sem falar nas vezes em que acontecimentos tristes quase o derrubaram).
E quantos "entendidos" de futebol insistem em discordar da presença de Dunga como técnico da seleção brasileira de futebol, por ele não ser "um técnico de renome, ou não ter dirigido nenhum time anteriormente". E não se rendem, mesmo com o Brasil se classificando para a Copa sem o sofrimento que "técnicos de renome" não conseguiram evitar em edições passadas. (Em tempo: Estes mesmos "entendidos" defenderam a escolha de Maradona para a seleção da Argentina...rsrsrs).
Como se vè, se você é alguém a quem afastam ou discriminam porque tenta passar idéias para as quais "não tem autorização, porque não é o que se ensina nas escolas, universidades ou igrejas", fique tranquilo... Você não está só.
Agora pense na idiotice desta postura. Já imaginou alguém morrer de fome, diante de um belo prato de comida, só porque quem o fez não é um cozinheiro formado (ou a mamãe)? Já pensou em alguém esteja prestes a cair num precipicio e se recusa a dar a mão para alguém que lhe oferece ajuda, porque esta pessoa não é do Corpo de Bombeiros? Ou se você respondesse a uma pergunta simples, como "quatro" à questão "quanto são dois mais dois?", e sua resposta fosse recusada porque você não é um matemático?
Parece loucura, mas as pessoas que passam a gravitar em torno de uma teoria, e até mesmo de uma prática, sem se abrir a questionamentos, têm atitudes semelhantes às descritas acima. Então pergunto: Quem é o ignorante nesta história?
Escolas, universidades, igrejas e outras entidades ligadas ao ensino para a vida tem, pelo menos em sua vocação principal, uma função humanística, sociopolítica e socioeducacional importantíssima na vida das pessoas. Porém essas funções não têm sido exercidas adequadamente. Isso acontece porque muitas destas instituições passaram a assumir o papel de "defensora de um determinado conhecimento", e não de um espaço de democratização das idéias, onde se formam pensadores. Pior do que isso, tentam sufocar os que surgem fora de suas paredes.
Augusto Cury afirma, e eu concordo plenamente com ele, que "é preciso fazer uma revolução contra as convenções do conhecimento e o sistema rígido de pesquisa, capaz de torná-los ousados na produção de um corpo teórico próprio, uma teoria inovadora, e nem sempre se submeterem às idéias de ninguém, seja ele Freud, Jung, Roger, Moreno, Erich Fromm, Viktor Frankl, Piaget ou de filósofos tais como Kant, Hegel, Marx, Husserl, Heidegger etc. Sem se adotar essa postura não se produzirão novos pensadores, novos cientistas, não haverá a produção de teorias e nem de práticas originais, inovadoras. Uma intentona teórica, alicerçada nos princípios da democracia das idéias, deveria ser feita com algumas das "artes" principais de Inteligência Multifocal: ousadia, criatividade, arte da observação, arte da formulação de perguntas, arte da dúvida, arte da crítica, análise multifocal, entre outros procedimentos, uma postura intelectual que não oferece resistência para reciclar e reorganizar continuamente todo o conhecimento produzido. Esses procedimentos são fundamentais para romper os paradigmas culturais, o continuísmo das idéias, a  mesmice do conhecimento e, conseqüentemente, para produzir grandes mudanças na vida das pessoas" (A.C).
Eu torço para que, para o bem das crianças da escola (que não cito aqui exatamente para não gerar discussões fora do âmbito ao qual estou propondo), que as lideranças desta instituição revejam a postura que adotaram, e que pensem no que querem de bom para seus alunos, não transformando o "meio" no "fim".
Enquanto isso, meu amigo, apesar da tristeza e da preocupação com seus pimpolhos, segue ensinando, segue passando adiante as suas idéias, democratizando as informações que têm buscado por todos os cantos que vai e em todos os cursos que faz. Minha dica para ele é: "Fique feliz por estar passando por isso (Sim, Feliz!), porque você está mostrando que está no mesmo patamar de grandes mestres (Nem o maior de todos os Mestres escapou desse tipo de ação, sabia? "Não é este o filho do carpinteiro?", diziam os "doutores da lei".)
Não importa se há os que preferem morrer na mesmice a viver as novidades que surgem no dia-a-dia. Eles tem um poder efêmero, que usam como uma espécie de "bala alojada", destas que se tirarem a pessoa morre. O que vale é permanecer, como Sócrates, fiel não a um conhecimento, mas no firme propósito de ser livre, de pensar por conta própria, sem abrir mão do que se conhece, mas pronto para incluir sempre novas idéias.

"Minha querida Alma, seja fonte de ousadia e criatividade"
"Minha querida Alma, seja fonte de constantes transformações" 

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