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A ARTE DE NÃO FAZER NADA

 Artigo publicado na edição 324 (04/08/2012) do Jornal de Poço Fundo


Já estava quase encerrando minhas matérias comuns de reportagem, quando fui solicitado a escrever para esta coluna algo relacionado ao meu trabalho com o Desenvolvimento Pessoal, a Programação Neurolinguística e a Linguagem Corporal. Infelizmente, por conta da Campanha Eleitoral, uma de nossas articulistas colaboradoras ficará por uns tempos sem poder nos enviar seus textos, e por isso resolvi atender ao pedido de nosso editor.
Então surgiu um probleminha típico de quem vive da escrita e que já tenha passado anteriormente várias horas diante do computador: Cadê a criatividade necessária para se fazer um bom artigo, que fosse útil, transformador e fácil de ser entendido?
Passei então a fazer minhas "pesquisas" para encontrar essa inspiração. Dei uma olhada em artigos que já havia publicado em meu blog, reli textos de grandes escritores do gênero, procurei dentre os materiais que dispunha de minhas palestras... mas nada surgia em minha mente.
Foi aí que me lembrei de uma frase que me chamou a atenção, dita numa programa sobre criatividade e trabalho da Rede Minas, há cerca de um mês: "Às vezes, o melhor que se pode fazer para resolver um problema é justamente não fazer nada". Não um "nada" de desistência, ou de resignação (do tipo: não vou conseguir mesmo, então...), mas um "nada" reparador, de descanso da mente.
Como não sou do tipo que deixa passar um momento de "insight", e já vinha seguindo as dicas passadas naquela matéria, tratei de seguir a idéia. Desliguei o computador e resolvi "dar um tempo", sem pensar muito no que poderia fazer ou escrever. Uma caminhada à toa, uma parada para observar a natureza, sem preocupação com fechamento da edição ou com o espaço que eu teria que utilizar (pra desespero da nossa diagramadora).
E não é que deu certo?
Quando liguei novamente o computador, minha cabeça já fervilhava de idéias, com temas como a linguagem corporal para combate à posturas depressivas, para melhoria na comunicação familiar ou no trabalho e muitos outros. Escrevi sobre vários tópicos, fiz pelo menos três textos e então me vi diante de outra questão: Qual publicar? A resposta me veio rapidamente. Resolvi falar sobre esse "fazer nada" que tanta gente teme, mas que pode trazer-lhe muitos benefícios.
Claro que todos nós sabemos o que é não fazer nada. É muito fácil estar deitado no sofá a ver o tempo passar, por exemplo. Porém, a maioria das pessoas está demasiada ocupada para se dar a este luxo e, quando tem a oportunidade para isso, não o sabe aproveitar. Continua a pensar no trabalho, na roupa que tem lavar ou passar, na discussão de ontem à noite com a esposa, o vizinho, o colega de trabalho. Além disso, para muitos esse é um ato contra-produtivo.
No entanto, saiba que "não fazer nada" é uma arte, que pode te ajudar a melhorar a própria produtividade, a autoestima e o índice de crescimento profissional. Ficar "à toa" ajuda a eliminar o stress, o grande vilão da atualidade.
Segue algumas das dicas que segui neste dia:
- Comece por baixo: Reserve 5 a 10 minutos diários para começar a praticar a arte de não fazer nada – de preferência no sossego da sua casa e não no escritório ou no centro comercial. Passado este tempo, volte às suas atividades normais.
- Preste atenção à sua respiração: Comece por inspirar muito devagar, depois expire lentamente. Siga atentamente o seu processo de respiração – a forma como entra no corpo através do nariz e desce para os pulmões, enchendo-os. Agora, sinta a maneira como a respiração deixa o seu corpo através da boca e a sensação incrível que é esvaziar os pulmões. Se conseguir, repita isto durante 5 a 10 minutos, praticando sempre que possível.
- Relaxe: Procure um local tranquilo e simplesmente recoste-se. Não se preocupe se de repente bater um soninho reparador. Sua mente sabe de suas responsabilidades, e não vai deixar você perder a hora.
- Saboreie: Uma boa forma de "não fazer nada" é sentar-se à uma mesa e ingerir alimentos leves, saudáveis e saborosos. Não estou falando de quilos de chocolate ou churrasco, mas uma fruta, um suco, um doce em pequenas proporções.
- Entre em contato com a natureza: Encontre um local sossegado. Pode ser o seu próprio jardim, um parque ou floresta, à beira mar ou junto do rio (os locais com água e longe dos ruídos da cidade são os melhores). Em comunhão com a natureza você pode praticar a arte de relaxar durante 20 minutos, uma hora ou ainda mais. As distrações são muito menores, o que vai permitir que se desligue completamente do seu stress. No entanto, vale a dica: Não deixe o cérebro “à solta”. Concentre-se na beleza, aprecie as folhas, as flores, a água, os animais, deixe-se maravilhar pela grandiosidade deste ambiente natural.
Depois de dominar todas estas possibilidades, enfim passe à prática no seu cotidiano. Que tal "não fazer nada" na fila do banco, na sala de espera do consultório (isso inclui deixar de ler as revistas deixadas para seu entretenimento ou andar pra lá e pra cá), ou enquanto aguarda a chegada de alguém para uma conversa importante? Uma boa dica é observar as pessoas e as conversas à sua volta, sem julgamentos, procurando compreendê-las, sem se envolver.
Treine diariamente, e não se preocupe em definir horários ou estratégias para essa nova forma de buscar energias. Você pode fazer a qualquer hora e em qualquer circunstância. Aí, é só aproveitar os resultados.
Quanto aos artigos que esta pequena parada me rendeu, deixo para as próximas edições. Com certeza, outros ainda melhores surgirão neste período. Aguarde e confira, mas com uma certeza: a de que "não vou fazer nada" para forçar essa inspiração.
Agora, é com você!

Uma dica extra deste blog:
Visite o site UM MINUTO DE NADISMO. Experimente fazer o exercicio proposto e aprenda a "não fazer nada" apenas por um minuto. Quem acessa (como eu) garante que o descanso proporcionado rende ótimos insights posteriormente. É só tirar a mão do mouse e "ficar de boa"...rsrsrs

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