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PREOCUPAÇÃO E CULPA: FUGA DO PRESENTE

Resolvi me sentar para tentar passar aos meus arquivos algumas idéias novas que me vieram na noite passada. Liguei o computador, esperei alguns (longos) minutos para que os programas estivessem "no ponto" e abri o editor de textos. Sendo um domingo, teria tempo de sobra para fazer este trabalho.
É... teria!
A vida de quem mora só e tem que arcar com várias responsabilidades, como aluguel, a própria alimentação e as regras de uma profissão que exige muitos cuidados, como é o jornalismo, tomaram conta de minha mente. Comecei a pensar nas tarefas da segunda-feira, na busca por algumas informações para completar algumas matérias, nas fotos que teria que enviar, nos vídeos que precisava editar...
E de repente também me lembrei que neste domingo ainda tinha mais um compromisso. Era somente às 18h00, com o grupo de cânticos para o qual toco violão, no Santuário Mãe Rainha. Que músicas iria escolher? Será que teria algum ação diferente na celebração? Teria roupas passadas e adequadas para a missa? Ainda era de manhã, e eu já estava pensando até se ia a pé ou de táxi para a igreja.
Não demorou muito, e me veio outra lembrança: na sexta, deveria ter ido me encontrar com uma amiga, que queria conversar sobre um problema que ela estava enfrentando. A correria do trabalho me impediu de fazer isso, e quando cheguei em casa, nem tomei o cuidado de avisá-la. A cara que ela fez ao me ver num barzinho, algumas horas depois, ainda estava marcada na minha mente.
Assim, quando percebi, já se tinham passado pouco mais de duas  horas e eu, com estes pensamentos, ainda não havia nem começado a escrever o que eu queria. Na verdade, simplesmente me esqueci de boa parte das idéias.
Foi aí que me toquei: Em outras ocasiões, o mesmo fato já havia acontecido comigo, e tenho certeza de que várias outras pessoas também passaram por esta dificuldade. Em alguns casos, ficamos travados com o que "temos que fazer" (preocupação). Em outros, com "o que devíamos ou não devíamos ter feito" (culpa).
Estes dois sentimentos são vividos no presente, mas nos levam para outro instante, no futuro ou no passado. Em ambos, o resultado é um só: não vivemos o agora! Ou seja, de qualquer forma os resultados são nocivos.
Tanto num caso como no outro, encontramos razão para a imobilidade. Se estamos preocupados, não podemos brincar com nossas crianças, não dá pra comer, beber, se divertir... qualquer ato imediato fica comprometido: "Não posso fazer, falar ou prestar atenção nisso, porque estou preocupado com aquilo", ou "Não consigo fazer nada, porque fico imaginando porque criei aquele problema há tempos atrás".
E a gente pensa que tem ganhos, mesmo com justificativas relativamente ilógicas. Se você se preocupa, é uma pessoa que se mostra interessada (o que fazer por você, pelos outros, pelo país? Como mostrar que é uma pessoa correta? Como pagar as contas? Como fazer um bom trabalho?). Se você se culpa, mostra que tem sentimentos (Não sou mal. Não pensei no que fiz. Estou arrependido. Foi um equívoco. Não quis te machucar...).
Mas... E DAÍ?
A única coisa que ganhamos com estas atitudes é, na verdade, um amplo conjunto de problemas de saúde. Passamos a sofrer com gastrites, dores no corpo, dores de cabeça, depressão... Comemos mais (ou muuuito de menos), nossos vícios ficam mais evidentes, nos sentimos fracos, dentre outros distúrbios.
Claro que é preciso estar atento ao que está por vir. É natural também que aprendamos com os erros que tenhamos cometido. Só que o momento de garantir um futuro melhor e transformar o aprendizado do passado em energia criadora é um só: O PRESENTE! Ficar paralisado pelas preocupações ou pela culpa só nos faz perder o dia que estamos vivendo.
Com mais esta inspiração, deixei de perder tempo. Liguei para minha amiga, pedi perdão pela "pisada na bola" e sugeri um novo bate-papo. Nos encontramos na praça da Matriz, conversamos com uma boa degustação de sorvetes e, acredito, encontramos alguns caminhos para que ela resolvesse boa parte dos problemas que me apresentou. Quanto a mim, depois disso, liguei novamente o computador e pus em prática o que havia me proposto logo de manhãzinha. Adorei o resultado final.
No entanto, antes, escrevi este artigo, pra mostrar que insights não devem ser deixados para depois (do tipo: "Mais tarde faço um texto sobre isso".), porque senão acaba se tornando mais uma fonte de arrependimento (assim: "Porque não aproveitei para escrever quando estava no ponto"?).
E agora, com licença, porque vou curtir um joguinho de futebol antes de ir ao meu compromisso do final da tarde: a Missa!
Ah... e chega de fugas, ok?

"Minha querida Alma. Seja fonte de luz e sintonia com o Presente".

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