Pular para o conteúdo principal

DE QUE MODO VOCÊ TENTA MOTIVAR QUEM TE CERCA?

Sempre que me informam que haverá, em algum lugar, um "curso motivacional", geralmente fico preocupado. Não foram poucas as oportunidades em que acompanhei (ou até ministrei, no começo de minha 'carreira' de instrutor de PNL) palestras, cursos ou reuniões com o objetivo de "incentivar a galera", "acordar as lideranças" ou "sensibilizar os funcionários para a importância de uma boa produtividade na empresa, escola, prefeitura, etc...".
Quase sempre, os resultados eram os mesmos: dos participantes, uma boa parte sequer ouvia, via ou sentia o que estava sendo passado (iam porque eram obrigados ou poderiam perder algum benefício), outra questionava bastante a necessidade do encontro e uma boa parte (a maioria, por sinal) saía "acesa" do evento, mas poucos meses ou até dias depois já estavam novamente apresentando o mesmo índice de motivação que tinham antes. Isso quando não faziam exatamente o oposto do que foi repassado.
O interessante disso tudo é que não há nada de errado com o que foi ensinado, e tampouco com quem recebeu as informações. A falha está na forma como toda a proposta é apresentada, e, não raras vezes, o jeito com que patrões, pais ou lideranças tentam manter a "chama" em alta. Em geral, usam palavras e atos que interferem em algo essencial para que as pessoas queiram mudar: a AUTONOMIA de cada uma delas.
E está mais que provado, através até de pesquisas (que não vou elencar aqui por não ter a menor intenção de tornar este texto cansativo):  Tentar dizer aos outros o que eles devem fazer ou como eles devem agir faz com que, na maioria das vezes, ocorra o efeito contrário.
E a melhor maneira de se conseguir esse resultado indesejado é usar, durante as abordagens, sentenças que contenham palavras como "deve", "precisa", "é necessário", "é proibido", "não pode", "tem que" "isso é perigoso", "Isso é ruim", dentre outras!
Pense: Quantas vezes você falou para seus empregados, colaboradores, alunos ou filhos: "Não pode" fazer isso, "deve" fazer aquilo, "tem que" obedecer, etc... e ele(a) acabou fazendo exatamente o que você não queria que fosse feito? São muitos os exemplos que existem perto de cada um de nós, com certeza.
Isso acontece porque todos os seres humanos (com raras exceções), até mesmo crianças, sem entender muito do que é a vida, carrega consigo uma característica especialíssima: não gostam de ser tolhidos em sua liberdade. A isso, chamamos de Lei da Reatância Psicológica. Em palavras mais diretas, significa simplesmente que quando somos obrigados ou impedidos de fazer algo, sem o direito de escolha, nossa mente reage ao que foi imposto, e isso se reflete em nossos atos.
No trabalho não é diferente. "Você deve entender que sua função exige mais esforço que o que esta apresentando". "Nós precisamos fazer este trabalho com alegria". "Temos que alcançar esta meta, senão...". É só ouvir estas frases e "bum!", nossa mente reage imediatamente de maneira negativa, como se dissesse (mesmo que não percebamos). "Quem decide isso sou eu". "Ninguém manda em mim". Ou perguntasse: "E se eu não quiser fazer isso?". E aí não importa se é "algo bom", se "é correto", ou se "vai ser legal" o que nos é ordenado. Muito menos se "é perigoso", se "é ruim", ou "é pecado" o que nos é proibido (não é à toa que a máxima "Tudo que é proibido é mais gostoso" tem sido repetida ao passar dos séculos).
Quer motivar de fato? Então você pode seguir as seguintes premissas:
- Ninguém é obrigado a fazer nada. Não "tem que", não "deve"... A escolha é sempre do sujeito.
- Todos nós já possuímos motivação suficiente. Basta ter respeitada a liberdade para acessá-la e ter um "mapa" para seguir, não como ordem, mas como sugestão.
Eis a grande sacada! Todos querem o direito de escolher seu caminho, mesmo que com poucas opções apresentadas, ou pelo menos tentar encontrar alternativas, mas com base em seus desejos, e não por força de um ofício ou memorando.
Nós agimos de acordo com os nossos próprios motivos, e estes são internos, pessoais, intransferíveis. Ajudando a pessoa a descobrir isso, damos um passo essencial para que ela própria encontre razões para atender ao que é solicitado. Posso tentar fazer com que um pedreiro construa uma casa popular com altíssima qualidade em tempo recorde, recebendo o salário que estou oferecendo, apenas afirmando que ele vai estar promovendo a alegria de uma família carente. Se internamente ele não tem nada que ligue a essa motivação, de nada vai adiantar meu esforço, mas se descubro que motivos ele pode ter para QUERER fazer o que estou pedindo (não por mim, mas por ela), então temos 99% do caminho andado.
Como fazemos isso? Primeiro fazendo a pessoa descobrir que razões ela teria para querer mudar, e isso se consegue com perguntinhas simples: "O que poderia te fazer querer mudar? E...Porque você pode querer mudar?". Conseguidas estas respostas, vindas do interior da pessoa, basicamente basta deixar claro que a decisão desta mudança ou de optar por algo que está sendo oferecido é totalmente dela, ou seja, reforçar (ou simplesmente resgatar) a sua autonomia. "Essas são as idéias apresentadas, mas, claro, a escolha final para fazer o que é proposto é sua".
Quando temos a consciência de que estamos "escolhendo" algo, e não sendo obrigados a seguir para isso, a probabilidade de que "topemos o desafio" fica infinitamente maior.
Claro que isso não significa esquecer que há consequências. Se determinada atitude, que poderia ser diferente, interfere no trabalho, no estudo, na saúde, no bem-estar de alguém, ou o sujeito acha interessante enveredar pelo mundo do crime, por exemplo, pode-se muito bem incluir na conversa que optar pela continuidade do padrão vai levar a algumas perdas (como a do emprego, da vida, da liberdade...), e ter outras atitudes podem produzir ganhos. Lembrando sempre que nenhuma destas informações será passada como ameaça. Independente disso, ainda assim a escolha é de quem queremos motivar, e não nossa. Entendido?
Isso serve inclusive para nós mesmos. Imagine que você queira iniciar um programa de exercícios, para ter mais disposição, saúde, um corpo mais leve... Você sabe que não precisa começar hoje, nem amanhã, nem daqui a duas semanas. Mas ao aceitar que não precisa fazer nada disso, pode começar a se perguntar porque poderia querer mudar, e a partir daí estabelecer uma data para começar (se quiser).
Em outros posts, falo um pouco mais sobre este tema tão interessante, com mais dicas pra você.

"Minha querida alma, seja fonte de autonomia e liberdade"

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

UMA MÚSICA QUE PRODUZ MILAGRES

A descoberta da "música do manto" de Guadalupe foi feita por um contador especializado em matemática, Fernando Ojeda, que observou a simetria e a proporção áurea na imagem. Ele notou que a posição das flores e estrelas no manto pareciam corresponder a notas musicais e, com a ajuda de um especialista em música, conseguiu identificar a melodia.  A descoberta foi feita através de uma análise matemática e musical da imagem original do manto. Fernando Ojeda, que é um contador público mexicano, observou que a imagem seguia a proporção áurea, uma proporção matemática que se encontra na natureza e na arte, e que lhe conferia uma simetria perfeita. Ele então decidiu investigar se essa simetria também se refletia em uma melodia musical.  Para isso, Ojeda colocou a imagem dentro de um retângulo áureo e pediu a um especialista em música para sobrepor essa forma a um piano. O especialista então identificou as notas correspondentes a cada ponto das flores e estrelas no manto. Quando essas ...

VOCÊ TEM MEDO DO CONFLITO?

 "Tudo o que é grande e profundo surge da luta. A vida não se poupa a si mesma — e por que você se pouparia?" Você que evita o confronto, que recua diante da discórdia, que prefere a harmonia ilusória à verdade que queima: saiba que o conflito não é seu inimigo, mas o cadinho no qual seu caráter se forja. Nietzsche nos lembra que "toda conquista elevada exige coragem para a tensão", pois é na fricção das vontades que descobrimos quem somos. O medo do conflito é o medo da vida em sua plenitude. Quem foge de toda disputa condena-se à mediocridade, pois "a paz prolongada enfraquece os fortes". Aquele que nunca ousa discordar, que se esconde atrás do silêncio ou da complacência, trai a si mesmo — e, no fim, nem mesmo é amado por isso, pois "o amor não é consenso, mas vontade de superação compartilhada". Não confunda covardia com bondade. A verdadeira generosidade não é ausência de conflito, mas a coragem de enfrentá-lo com nobreza. O homem superior n...

ESTÁ NA HORA DE VOCÊ ASSUMIR SEU PAPEL DE LÍDER

Um verdadeiro líder não nasce pronto – constroi-se. Seja no trabalho, na política, nos esportes ou na vida pessoal, liderar exige muito mais do que apenas dar ordens. É sobre inspirar, guiar e transformar. Aqui estão as qualidades fundamentais que todo grande líder precisa desenvolver: 1. Visão Clara e Propósito Um líder sabe para onde vai e consegue comunicar esse caminho de forma inspiradora. 🔹 Exemplo: Steve Jobs não apenas criou produtos, mas vendeu um sonho: "Mudar o mundo através da tecnologia". 2. Empatia e Inteligência Emocional Liderar pessoas exige entender suas necessidades, medos e motivações. 🔹 Diferencial: Líderes empáticos criam times leais e engajados. 3. Coragem para Decidir (e Assumir Riscos) Grandes líderes não fogem de escolhas difíceis. Eles pesam os riscos, mas agem. 🔹 Frases-chave: "Errei, e aprendi com isso" / "Vamos tentar de outro jeito". 4. Comunicação Eficiente Saber ouvir, falar e persuadir é crucial. Um líder transmite idei...