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VOCÊ GOSTA DO SEU TRABALHO?

Hoje, 1º de Maio, Dia do Trabalho, me peguei rememorando alguns momentos da minha infância, quando eu já comecei a literamente sonhar com o que eu faria na vida, qual seria a minha contribuição com o mundo, qual seria o meu trabalho. Tão gostoso perceber que, independente da grana que eu ganhe ou das dificuldades que enfrente, estou fazendo exatamente o que sempre quis fazer. E você? Faz o que gosta?

No mundo massificado e capitalista em que vivemos, não é nada dificil encontrar pessoas que encontram no trabalho apenas um jeito de ganharem dinheiro, ou mesmo de sobreviverem. Outras entram em concursos públicos, não pela importância da função que irão desempenhar, mas porque querem garantia de estabilidade... e temos os que chamo de "escravos modernos", que se sujeitam a trabalhos que detestam apenas porque não conseguem outro, mesmo tendo plena possibilidade de serem diferentes. O difícil é encontrar, em qualquer um destes grupos, alguém que seja, realmente, Feliz!

Felicidade no que faz não está ligado à competência, à capacidade ou ao salário percebido. Vejo advogados considerados de grande sucesso (financeiro), investindo em várias áreas e ficando cada vez mais ricos, mas que não conseguem lidar com a própria vida, com a familia, com os amigos. E outros que acabaram de começar suas carreiras e se preocupam com os seus clientes, mostram a alegria de defender o Direito, irradiam simpatia pelos corredores de qualquer Fórum. Isso vale para Juízes, Delegados, Policiais... é fácil descobrir quem está em cada uma destas funções porque nasceram para isso ou apenas as encararam como uma boa forma de ter "autoridade", "um bom salário" ou "estabilidade no emprego".

O que dizer de médicos que se levantam de madrugada para salvar a vida de um desconhecido que sequer pode lhe pagar, e de outros que não admitem serem tirados do cafézinho da tarde para atender a uma emergência?

E os tantos professores que passam praticamente 24 horas dedicados ao Ensino, mesmo diante da muitas dificuldades, falta de reconhecimento e a pouca vergonha dos governos, que simplesmente entendem "Educação" apenas como bandeira de campanhas políticas? Pois é, enquanto isso, temos os que fizeram faculdade apenas porque "acharam que seria mais fácil", e hoje não tem coragem de procurar a sua verdadeira vocação, preferindo tentar adequar o mundo escolar às suas frustrações.
Não vou dizer que alguém nasceu com vontade de ser lixeiro, gari, servente de pedreiro ou algo parecido, mas sei de muitos que conseguiram ver nestas funções uma maneira de servir ao mundo, e o sorriso de cada um deles encanta a quem esteja atento, que os saiba enxergar.

Enxergar... aliás, é esta uma de minhas funções. Ver as pessoas, o que elas fazem, de certo ou errado, registrar, escrever, mostrar, contar suas histórias. E como sou feliz por ter conseguido, após muita luta, desconfianças, risos até mesmo de familiares ("Pobre nasceu pra encarar o trabalho duro, na roça ou na indústria, ser empregado, e você quer viver da escrita e da fotografia? kkkk") e preconceitos.

Mas, como eu, existem muitos que gostam do que fazem? Será que encontramos pessoas que se dedicam ao que sempre sonharam fazer, ou pelo menos tiveram a coragem de mudar seus rumos para entrar neste caminho?

Garanto que sim. São aquelas que abandonaram um emprego rentável mas gerador de infelicidade e resolveram criar seu próprio negócio, ganhando menos mas tendo mais liberdade, mais amigos, mais qualidade de vida, e ainda com o gosto de dizer para si mesmo(a): "Eu fiz isso". Isso independe do reconhecimento da sociedade, da fama que alcançam, da quantidade de "likes" que seus posts ganham no facebook. O trabalho é compensador pelo valor que tem internamente em quem o faz.

Há empresários, quimicos, advogados, médicos ou policiais que largam tudo para se dedicar às terapias alternativas, a cuidar de animais, a se dedicar em trabalhos voluntários, a ensinar música, a proteger crianças, a virarem artistas.

Da mesma forma, temos aqueles que jamais abririam mão das profissões em que iniciaram suas vidas, exatamente porque já desde o começo estas eram as suas grandes atrações. Mesmo que estes trabalhos já sejam considerados em extinção. Conheço um alfaiate que teve a chance de criar uma fábrica de costura em série. Ele o fez, mas antes deu aulas aos seus empregados sobre a arte da alfaitaria, e sua empresa só produz roupas sob medida para homens. Os produtos em série servem apenas para garantir as festas de fim de ano...rsrs.

Poderia citar muitos outros casos, mas vou parar por aqui, mesmo porque minha intenção é apenas prestar minha homenagem, neste Dia do Trabalhador, àqueles que se dedicam ao que gostam, ou que ainda não desistiram de chegar lá, buscando energia onde ela muitas vezes nem existe para manter os seus sonhos. E obrigado a todos os batalhadores deste mundo, que amando ou não o seu trabalho, são as matérias-primas do meu.

Aos que gostam do que fazem, parabéns! Mesmo assim, saibam que sempre há formas e mais formas de aumentar esse amor. Aos que não gostam, vai a dica: Mude!  Como? Dê o primeiro passo: Admita a si  mesmo(a) que não gosta do que faz, e quer fazer algo diferente. A partir daí, com certeza, surgirão os sinais do Universo que indicam que caminhos tomar. Afinal, o Universo sempre conspira ao seu favor, e se você diz pra si mesmo, sinceramente, que quer seguir a sua vocação, independente de qual seja, você vai chegar lá.

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