A gente sabe se o dia vai começar mal quando acorda com o coração acelerado, como se tivesse corrido uma maratona antes mesmo de abrir os olhos. A ansiedade já está lá, sentada à beira da minha cama, esperando eu despertar para começar seu show. Respiro fundo, como o terapeuta ensinou: "Quatro segundos inspirando, sete segundos segurando, oito soltando." Mas tem dias em que o ar parece pesado, grudento, como se eu estivesse tentando respirar dentro de um saco plástico.
Sou bipolar. Isso não é um rótulo, é um fato! E embora muita gente prefira usar esta verdade contra mim, decidi há muito tempo encarar as consequências de falar sobre isso. Faço tratamento, tomo os remédios religiosamente, evito gatilhos — álcool, noites maldormidas, estresse desnecessário.
Mas a vida, ah, a vida tem seus próprios planos. Perceba se você não se enquadra em momentos assim: Quando as coisas apertam: contas se acumulam, projetos importantes desmoronam, uma discussão besta que tira o sono. O meu cérebro, traiçoeiro, talvez como o de todos, decidiu que era hora de brincar de gangorra.
De manhã, somos um furacão de ideias, escrevendo páginas e páginas de um novo projeto, respondendo mensagens atrasadas, planejando mudanças radicais na vida. À tarde, o pico vira um vale sem fundo. A exaustão bate, e com ela vem aquela voz sussurrando: "Você nunca vai dar certo." No meu caso, tento me distrair, coloco uma música animada, lembro dos exercícios de grounding — "Cinco coisas que você vê, quatro que toca, três que ouve..." — mas os pensamentos negros insistem em nadar na minha cabeça.
É quando se percebe: Precisamos de ajuda! Não a ajuda genérica de um "respira e vai passar", mas a ajuda real, profissional. Marcamos a consulta que vinhamos adiando, mandamos mensagem para o psiquiatra. Não é vergonha nenhuma admitir que, às vezes, os remédios precisam de ajuste, que a terapia tem que ser intensificada. Bipolaridade não é escolha, mas o cuidado com ela é, e eu tenho.
Mesmo após anos de diagnóstico, ainda precisamos aprender a navegar entre os picos e vales sem afundar ou voar alto demais. Se hoje foi um dia difícil, amanhã pode ser melhor — ou não. Mas pelo menos não estou sozinho nessa. E, por enquanto, isso já é um alívio. Esse foi um dos motivos pelos quais resolvi mudar o foco e até o nome deste blog: Pra falar de de mim, de nós, e de nossos inimigos íntimos.
E você? Como encara os desafios que sua mente lhe impõe, junto com a danadinha da vida e do cotidiano, que sempre trazem obstáculos novos para quem detesta que eles apareçam?
Comente aí e ajude a quem ainda não aprendeu como lidar com isso.

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