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"ELE É MEU IRMÃO" - DÊ FIM ÀS CRISES DE AMOR FRATERNO

Ontem passei boas horas numa conversa com um amigo que tem dificuldades de relacionamento com alguns familiares. Como sempre, as justificativas para o problema são várias: "Ela (a) não ME respeita", "Ele (a) faz coisas com as quais EU não concordo", "Ele (a) é EGOISTA", etc....
Fico geralmente meio chateado com conversas do gênero. Sou de uma familia grande, que também apresenta alguns desequilibrios de vez em quando, mas não consigo me ver com ódio, afastado ou desejando "distância emocional" de nenhum dos meus entes.
No caso do meu amigo, o principal problema era o de um irmão que está afundado no mundo das drogas e, consequentemente, do crime. A mãe faleceu recentemente, depois de muitas frustrações em tentativas de libertá-lo desta triste prisão do vicio. Naturalmente, o caminho mais fácil para o restante da familia foi o de culpar o jovem pela morte da matriarca. A partir daí, a explicação para mantê-lo "bem longe das vistas" estava na ponta da língua. "Aceitá-lo é como trair a memória de nossa mãe", disse o meu querido interlocutor, chorando.
Mas foi esse choro que me deu a pista. Meu amigo estava sofrendo do que eu chamo de "crise de amor fraterno". Por mais que ele quisesse pensar em si e nos familiares que "seguiam as regras", ele se preocupava com o mano "vida loka". Ele o amava! Mas misturava o amor que sentia pela mãe (e a raiva por tê-la perdido) com os próprios sentimentos de impotência para ajudr o irmão. Por não saber como explicar o que estava acontecendo, usava os recursos mais defendidos pelo nosso mundo atual e globalizado, voltado para resultados, para o sucesso: culpar o outro por suas próprias frustrações.
A grande questão é que ele precisava entender que ajudar o irmão não significava concordar com as besteiras que ele cometia. Tampouco significava trair a memória de sua mãe (afinal, ela morreu tentando, e se estivesse viva ainda estaria na luta). Tendo ele aceitado minha sugestão de relaxar e ouvir estas argumentações, senti que sua pele ficou mais limpa, sua respiração mais forte... Foi como se uma janelinha se abrisse num túnel sem nenhuma luz no final.
Mesmo assim, resolvi ainda contar uma pequena história, sempre repetida por um de meus professores na Congregação do Irmãos do Sagrado Coração, quando a aula era sobre fraternidade.
Ele dizia:
"Um homem caminhava pela rua de uma grande cidade, sempre desviando dos mendigos, dos viciados que se aproximavam. Quando não era possível, os encarava e os botava pra correr. Não se conformava com o fato de tanta gente preferir a rua e a falta de responsabilidade a um trabalho digno e o respeito por si mesmo.
Este homem estava frustrado, em especial porque se julgava uma pessoa religiosa, mas seus irmãos não seguiam a mesma linha de pensamento. Optavam  pelos bares, prostituição, drogas..."Prefiro viver como se não tivesse familia do que com pessoas que não acreditam em Deus", pensava.
De repente, uma imagem lhe chamou a atenção. Um rapaz dos seus 1,60 m, magro, mas relativamente musculoso, carregava outro nas costas. O transportado tinha perto de 1,80m, cerca de 100 quilos e as pernas eram moles. Na hora, o homem entendeu que a musculatura forte do jovem se devia ao fato de carregar o outro há muito tempo.
Não resistiu e resolveu perguntar: "Meu jovem, você carrega este homem há muito tempo?".
"Sim, desde os meus 12 anos... ele já tinha uns 19. Meu pai morreu e não tinha mais ninguém para fazê-lo", respondeu o rapaz.
"Mas você não acha ele pesado?"
O jovem olhou surpreso para o homem, e respondeu rapidamente: "Não!".
"Como não? Vc tem uns sessenta quilos, e ele tem quase 100. Você é baixinho e ele é grande. E você é magro e ele gordo", insistiu o questionador.
"É, mas tudo isso fica pequeno quando me lembro de uma coisa só".
"Do que?".
"Que ele é MEU IRMÃO".
Naquele exato instante, um nó na garganta foi a única coisa sentida pelo homem, e ele deixou os dois irmãos seguirem caminho. Em seguida, deu meia volta, e tratou de ir até a casa do seu mano mais complicado, enquanto ligava para os outros e dizia: "Descobri uma coisa importante: Viver sem vocês é a pior doença de minha vida, e eu quero me curar!".

Já parou pra pensar nisso alguma vez, Irmão ou Irmã? 

"Minha querida Alma.. Seja fonte de amor constante e fraterno em minha vida"

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