A gente sabe se o dia vai começar mal quando acorda com o coração acelerado, como se tivesse corrido uma maratona antes mesmo de abrir os olhos. A ansiedade já está lá, sentada à beira da minha cama, esperando eu despertar para começar seu show. Respiro fundo, como o terapeuta ensinou: "Quatro segundos inspirando, sete segundos segurando, oito soltando." Mas tem dias em que o ar parece pesado, grudento, como se eu estivesse tentando respirar dentro de um saco plástico. Sou bipolar. Isso não é um rótulo, é um fato! E embora muita gente prefira usar esta verdade contra mim, decidi há muito tempo encarar as consequências de falar sobre isso. Faço tratamento, tomo os remédios religiosamente, evito gatilhos — álcool, noites maldormidas, estresse desnecessário. Mas a vida, ah, a vida tem seus próprios planos. Perceba se você não se enquadra em momentos assim: Quando as coisas apertam: contas se acumulam, projetos importantes desmoronam, uma discussão besta que tira o sono. O meu ...
Crônicas de um bipolar em qualquer pico, ou no meio deles...