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É BOM SER BOM


Vários estudos sugerem que ser simpático traz benefícios profissionais e pessoais. Num nível mais básico, por exemplo, pode ajudar a pessoa a conseguir um emprego. Em um estudo de 2011, o professor de administração Michael Tews e seus colegas da Universidade Estadual da Pensilvânia pesquisaram como gerentes avaliam capacidade e personalidade ao contratar um funcionário. A equipe criou e apresentou falsos perfis de candidatos, com personalidade e grau de inteligência variados. Em seguida, perguntou aos gestores quais candidatos tinham maior probabilidade de ser aceitos. Os gerentes, na maioria, preferiram os que tinham pontuação mais alta no quesito “gentileza”. Na verdade, eles escolheram esses candidatos até mesmo em detrimento dos mais inteligentes, mas aparentemente menos agradáveis.
Ser bom também pode ajudar o profissional a manter o emprego. Em um estudo publicado em 2011, o psicólogo organizacional Timothy Judge e seus colegas da Universidade de Notre Dame, em Indiana, Estados Unidos, descobriram que a demissão de pessoas bem relacionadas era menos provável que a das consideradas desagradáveis por muita gente. Uma razão possível seria os chefes verem os funcionários simpáticos como mais eficientes no trabalho – ainda que não o fossem. Em um estudo de 2002, o psicólogo Lawrence A. Witt, agora da Universidade de Houston, investigou o impacto da personalidade nas avaliações de desempenho em diversas profissões. Não foi surpresa para ele descobrir que funcionários comprometidos com suas tarefas receberam melhores avaliações quando também eram corteses. Profissionais esforçados e confiáveis, mas não muito agradáveis, receberam avaliações mais baixas que os aplicados e gentis.
A simpatia também traz benefícios pessoais. Estudos mostram que pessoas gentis mantêm casamentos mais longos, melhor relacionamento com os filhos e alegam ser, de forma geral, bastante satisfeitas com a própria vida – resta saber, porém, se, por serem tão acostumadas a tentar agradar aos outros, não passam por cima dos próprios sentimentos para não se desentender com o parceiro e a família, ou procuram responder exatamente o que imaginam que o pesquisador quer ouvir.
Em 2010, cientistas do Instituto Nacional do Envelhecimento relataram que as pacientes com baixa pontuação em gentileza eram mais propensos a ter espessamento das artérias carótidas, fator de risco importante para ataque cardíaco. Além disso, a equipe documentou que indivíduos com notas altas em afabilidade disseram sentir menos estresse, algo que poderia beneficiar tanto os relacionamentos quanto a saúde.
Apesar dessas vantagens, os bondosos podem perder de outras formas. Por exemplo, o excelente desempenho no serviço nem sempre se traduz em maior remuneração. Em seu estudo, o psicólogo Timothy Judge e seus colegas descobriram que as pessoas com pontuação alta em afabilidade tendem a ter salários mais baixos que as menos simpáticas. É pouco provável que a grosseria aumente a renda, no entanto, os bons (e também os preocupados em passar essa imagem) podem hesitar em pedir aumento e arriscar provocar a discórdia; ou ainda, os realmente desapegados dos bens materiais podem estar satisfeitos com o que ganham.

Texto da revista Mente e Cérebro: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/e_bom_ser_bom.html#.UHSvNdZ7_VU.facebook

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